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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eze - uma cidade especial nos Alpes Franceses.

fotos de Fernanda Rodrigues Vieira.


Esta cidade remonta ao tempo dos fenícios, e, como outras nos Alpes, obedece ao padrão: rochedo encimado por castelo, cidade circular ao redor do topo, caminhos que vão dar ao mar. Detalhe: a uma altitude de 700 m, caminhar até o mar não é o problema, mas voltar é que são elas.



Eze é bem alta, e o passeio judia muito, porque, embora fosse primavera, durante o dia é bem quente. E tudo o que se visita é ladeira acima – castelo, mirante, jardim exótico...
Para os entusiastas, há o ‘caminho de Nietzsche’, o trajeto que o filósofo gostava de fazer quando morou lá, enquanto conversava com Zaratustra a respeito do Super-Homem (o dele, não o americano!). A paisagem é, realmente, inspiradora. A mim inspirou um bom almoço, com suco geladinho para repor as calorias perdidas em caminhar ao sol.

O Chateau Eze é um restaurante que oferece uma vista espetacular. Hoje é um restaurante, foi construído há 400 anos atrás pelo rei Guilherme da Suécia, que gostou do local.


Em algum momento da subida, encontramos um gracioso cemitério, que começa a ser poético a partir da porta – coisa estranha, portas em um lugar onde ninguém quem está de fora não quer entrar e quem está dentro não pode sair...porém, em Eze, até a vista do cemitério é agradável, e lá estão enterrados alguns artistas que lá escolheram viver.

 Além das lojas de artesanatos magnífica, dos ateliers, há duas filiais das fábricas de perfumes situadas em Grasse – a primeira delas é a Fragonard.

A história do perfume, na França, começou com os pelotiqueiros. A pedido do rei de França, que não gostava de ficar com as mãos cheirando a couro, eles começaram a perfumar as luvas, com resinas sólidas que permaneciam em contato com o couro.

A visita é gratuita, e ao final você pode comprar os produtos a preço promocional. Vale a pena!

O senteur (o perfumista cheirador) deve ser capaz de identicar pelo olfato cerca de 2000 fragrâncias e trabalha apenas 4 horas por dia, para não desgastar o olfato. Ganha bem e deve ter vida regrada – não tomar café, vinho, substâncias de gosto forte que possam alterar o paladar; não deve fumar nem ingerir álcool.



Também em Eze encontra-se outra loja de perfume muito boa, a Galimard. Nem vou dizer que fica perto, porque em Eze tudo é perto! Aqui pode-se ver a usina de perfume funcionando, os operários fazendo as pastas, moldando os sabonetes e dando os retoques mais finos manualmente. O visitante é convidado a cheirar algumas amostras e fazer alguns testes olfativos, para verificar se é capaz de reconhecer os aromas. Bem interessante. Há uma variedade maior de embalagens e presentes à venda.

Jean de Galimard, senhor de Seranon, viveu em Grasse e em 1747 fundou a corporação dos pelotiqueiros perfumistas, que fornecia os aromas à corte de Luís, o bem amado, em forma de pomadas, perfumes e azeites aromáticos.

A gente sai de lá cheirosa, em estado de Grasse ...


Eze é um poema de cidade, se puder passe lá um dia inteiro. Saí de lá encantada, e aposto que a Fernanda também.


domingo, 3 de agosto de 2014

Lisboa - o bairro do Belém.

É um bairro lindo, cheio de atrações imperdíveis.



Pastelaria do Belém
Comece o dia cedo - multidões de turistas em ônibus enormes vão desaguar aqui a partir das dez da manhã. Uma boa opção é chegar um pouco mais cedo e tomar o seu café da manhã reforçado e com calma na pastelaria de Belém.
Aqui nasceu o famoso Pastel de Belém, que não consta do cardápio. eu vi na vitrine, e estou procurando por ele nas pastelarias, e o garçon me diz: 'está aqui, sim!' e me mostra... a foto!
Claro, tem uma foto do pastel lá, mas sem preço e totalmente separada das listas de produtos, enfim...arrisco. É delicioso, a massa folhada é crocante e se esfarela quando se morde; o recheio é quentinho e tudo de bom! O bolinho de bacalharu deles é melhor que o de minha avó!
Tem um montão de coisinhas boas lá, pena que não dava para comer um pedacinho de cada...

Mosteiro dos Jerônimos
Não se engane - o mosteiro não é uma atração, são quatro:
1 - a igreja propriamente dita - visitação gratuita, não circule por lá durante as missas.
2 - o claustro - você pode pagar uma entrada mais barata se comprar combinado com Museu de Arqueologia e Torre de Belém.
3 - Museu de Arqueologia
4 - Museu Marítimo


O prédio em si é incrível, dá uma idéia de grandiosidade e graça. As portas são elegantes, cheias de detalhes, parecendo aqueles castelinhos de lama que a gente fazia na praia quando criança.
Andar em volta antes de ir entrando é importante.



A igreja é bonita, dentro dela estão as tumbas de Vasco da Gama e Luís de Camões, logo à entrada.
O claustro é maravilhoso, que bom que resistiu aos terremotos e tsunamis desta vida. ao circular ao redor do pátio central, olhe as paredes - em um nicho estão os restos mortais de Fernando Pessoa, e uma lápide homenageando o poeta.
Na sala do capítulo e na sala de exposições tem muitas informações sobre a história de Portugal e seus homens ilustres, me murais carinhosamente preparados.
O prédio está muito bem conservado, a cozinha é muito bonita, com seus azulejos coloridos.
Ao lado da sala do Coro Alto, um filme sobre a história do mosteiro é passado em sequência em diferentes línguas. Bem bonito e suficientemente curto para não cansar.

O Museu de Arqueologia tem mostras da civilização que passou pela península desde os fenícios, os que primeiro pararam por aqui, e o nome Lisboa vem da expressão Allis Ubbo que quer dizer 'margem deliciosa'. Por aqui passaram cartagineses, gregos, romanos, enfim, o povo português é mais um caldo de cultura dos mais intrépidos navegadores antigos...deu no que deu.
Há uma ala especial dedicada à arqueologia maritima, com fotos e peças resgatadas de naufrágios de todas as épocas. ao contrário dos despojos de terram normalmente desgastados e quebrados, os despojos do mar est!ao intactos, às vezes corroídos e craquentos, mas na maiorias dos casos, inteiros, do jeitinho que estavam quando o navio afundou.



                                                      

 Museu Maritimo é de especial interesse para quem gosta da história das navegações, tem váriso tipos de naus, maquetes, mapas,  nós, instrumentos de navegação, até os dias atuais.
 Achei bem interessante.
Na entrada, uns versos de Camões:



"Assim fomos abrindo aqueles mares,


Que geração alguma não abria,

As novas ilhas vendo, e novos mares

Que o generoso Henrique descobria,"


Lusíadas, canto 7,4.


 Monumento Padrão dos Descobrimentos
Atravessando a Avenida, está o monumento Padrão dos Descobrimentos, construído no local de onde saíram os grandes navegadores, ao lado ainda existe o Porto das Naus. A visão da foz do Tejo é espetacular.
Há um mirante, no alto.
O monumento em si é bem bonito. Ao lado há um restaurante sobre as águas do Tejo, chamado Portugália, aí o preço é muito bom, a comida deliciosa. Experimentei lá o recheio de sapateira, uma espécie de casquinha de siri portuguesa, que eles sevem fria, para comer com pão.
Tem também uma sorveteria ao lado, a opção de voltar à com certeza agora lotada Pastelaria do Belém, e lanchonetes menores ao redor.


                                                 Recheio de sapateiro (no caso caranguejo)

Torre de Belém

Se quiser pode ir a pé até a Torre de Belém, ou voltar ao Mosteiro e esperar pelo ônibus, com eu fiz, mas foi meio inútil, pois o ônibus deixa o turista longe da Torre e a gente tem de caminhar de qualquer jeito...
Há os porões da torre, que serviam de prisão, onde os altos não conseguiam ficar em pé, pois os tetos são baixos, e, durante as marés, entrava água...para desespero do prisioneiro. Nos andares acima, há salas que eram usadas para reunião, oração e defesa da torre. Há um sistema de cisternas para recolher água de chuva, e uma das gárgulas tem a forma de um rinoceronte. e bem original.
Há canhões bem pequenos e janelas que hoje tem vidro, mas eram abertas, para que os soldados pudessem atirar nos invasores.
A construção é pequena, mas o estilo, manuelino, é encantador.


Olhando pelas ameias das torre

Achei este site oficial com textos históricos e arquitetônicso bem interessantes:

http://www.torrebelem.pt/pt/index.php


Passei um dia inteiro por lá, e deixei de visitar:
O Planetário - que fica no meio do caminho entre as duas alas do Museu Marítimo, e cada sessão, sobre astronomia, dura 2 horas.
Os diversos museus de arte e o Museu de eletricidade. Assim, se o turista for um admirador de museus, em dois dias ele vê apenas o bairro do Belém...
Opções para quem dispõe de um tempo maior na cidade.







domingo, 15 de junho de 2014

Londres - 2014


                                         




Li em algum lugar que só há nevoeiro em Londres se você espera por um.
Verdade ou não, fiquei por lá durante 4 dias ensolarados e maravilhosos. Detalhe: fui fora de temporada, em maio.
Para quem não esperava muito de Londres, adorei cada minuto que passei lá.

Abaixo, uns ladrilhos em uma passagem perto do Tâmisa, alusivos à história do rio.






Ficamos em um hotel muito pequeno, emergencial, o Marble Arc Inn, porque resolvemos a data da viagem de última hora, a opção nem era ir para a Inglaterra, mas o vôo para Londres estava muito mais barato e compensava fazer uma pausa lá, antes de seguir de trem para o continente.
Hotel em Londres, como em outros países de cultura inglesa, tem no quarto uma chaleira elétrica, saquinhos de chá, adoçante, açucar e café. Comprei um bom chá inglês, porque o do nosso hotel era um chá de marca asiática muito ruim. Asiático???? O chá é de origem asiática, mas a marca do nosso hotel era bem ruinzinha. Não entendi mesmo.

Meu passeio preferido: Trafalgar Square, com todos aqueles teatros. Escolhemos na hora e pagamos com 30% de desconto pelo ingresso, para aquela mesma noite, O Fantasma da Ópera.
Amei cada momento, atores ótimos, música deliciosa, viajei na história.
Então, pode arriscar e comprar o ingresso por lá, se não for na época de férias européias, e ganhar um bom desconto para assistir a peça que quiser, no mesmo dia. Estava cheio de ingleses na fila fazendo exatamente isso: comprando com desconto.

 
Aí estou eu com Agatha Christie e o bardo, Shakespeare. Boa companhia, inspiradora.

Há cartazes de peças, estátuas de escritores, marcas nas calçadas, pequenos bares por toda parte. Ingleses são ótimos para fazer toda sorte de pãezinhos e biscoitos, mas tem restaurantes italianos para quem quiser comer outra coisa que não o 'fish and chips' deles.
Bem, é uma coisa curiosa, que na realidade me preocupa bastante, o fato é que eu não tenho a menor lembrança de onde ou o que comi em Londres. Esqueci completamente. Será que isso diz algo a respeito da culinária inglesa? Que estranho... sumiu de minha memória qualquer referência à comida na época em que eu fiquei por lá.


Meu ponto de interesse especial lá era O museu de Sherlock Holmes. Sim, 221 Baker Street.
A casa, como era usual na época, é um imóvel estreito de 4 andares, você vai subindo as escadas, há dois cômodos em cada andar, bem jeitoso. Deve ser delicioso morar em uma casa assim: você recebe as visitas na sua sala sempre arrumadinha a qualquer hora, leva-as para comer no andar de cima, onde outra pessoa pode cozinhar sossegada, isolada da visita, de pijamas, com as crianças, em confortável privacidade, seu escritório fica no terceiro andar com sua biblioteca, e no último o seu quarto, que pode ficar o dia todo bagunçado sem que ninguém veja. De quebra, sua saúde agradece, porque esse sobe e desce diário mantém seu corpo em dia. (mantém mesmo, eu moro há nos em prédio de 3 andares sem elevador; os idosos que moram em prédios com elevadores se acomodam e tem problemas de toda sorte bem mais cedo)
Quem organizou o museu colocou logo à entrada uma caixa de cartas: existem até os dias de hoje pessoas que escrevem ao detetive pedindo soluções para os seus problemas, eles colocam as cartas lá na caixinha de entrada, com selos de vários cantos do mundo, um mimo.
Nos dois andares superiores, estão dramatizadas algumas das mais conhecidas histórias do personagem, através de bonecos de personagens e de objetos, que, ao longo dos anos, foram usados por diversos grupos teatrais nos palcos londrinos e depois doados ao museu.
O detalhe legal é a janela do terceiro andar, onde você se percebe dentro dos livros, cada vez qu Sherlock fala que está vendo alguém do outro lado da rua, e descrevendo a pessoa para o seu amigo Watson: você realmente tem uma nítida visão do outro lado da calçada! Ah, eu curti, até sentei na poltrona em frente à lareira!



Adorei cada parque - os esquilos londrinos são chegados a cheirar a mão dos turistas, embora eu não ache uma boa idéia alimentar esquilos, e um deles simplesmente subiu pela perna da Fernanda acima! tireu um foto para registrar o momento, logo em seguida ele fugiu assustado.


 
Hide Park - imenso, andamos por lá todos os dias, cada dia seguindo um trajeto diferente.
Saint James Park - o meu preferido, tem a melhor visão do entorno: roda, palácio de Buckingham, o palácio de Saint James, e tem cisnes e laguinhos encantadores.

Como chegamos quase ao meio dia, o primeiro dia em Londres se resumiu a deixar as malas no hotel, e circular pelos arredores, olhar o Tâmisa, pegar um mapa da cidade e outro do metrô, e no final usar o GPS mesmo...olhar as diversas lojinhas com as graciosas lembrancinhas londrinas, e verificar que esse povo faz mesmo o culto à realeza.
Lembro de cada ônibus (é claro que andamos em um, e no segundo andar, só pela experiência) e de cada cabine telefônica, tão anacrônicas e tão simpáticas...
As cabines telefônicas são hoje usadas como pontos de wi-fi, aliás muitos locais, e os ônibus também, oferecem wi-fi gratuito, de forma que a gente vai redirecionando o sinal pelas ruas...entrei em uma das cabines para uma foto e achei lá dentro, pelo chão e pelas paredes, um montão de fotos de garotas de calendário, de forma que as cabines ainda estão em uso, sim...

Londres, para mim, foi como caminhar dentro de livros, e ir reconhecendo so cenários de Dickens, Conan Doyle, e outros. Embora cheios de História, não senti mal estar ao andar pelos castelos onde tanta gente foi torturada e morta. Acho que milhares de turistas a cada dia acabam renovando as energias dos lugares.

Os londrinos são realmente gentis - em cada escadaria de metrô sem elevador aparaceu um gentil rapaz para me ajudar com a mala, em cada esquina em que consultávamos um mapa apareceu um senhor gentil perguntando se queriamos alguma informação, cada guia foi bem humorado ao leve estilo inglês. Não vi os famosos chapeuzinhos femininos fora das chapelarias, contudo... mas os homens, sim, vi muitos com chapéus os mais estranhos.

Desisti da troca da guarda porque só ia perder meu tempo - eles faziam a troca às 11 da manhã, o que nos truncaria o dia, e o local está sempre lotado, mesmo fora da hora da guarda. Aliás,
O palácio de Buckingham me decepcionou - é menor do que me parecia nas fotos e filmes.



O palácio de Saint James - passavamos em frente a ele quando saíamos do hotel, tem uma bela fachada.

O palácio de Westminster com o sue simpático Big Ben (que som gostoso!) - os sinos originais não existem mais, e alguns antigos estão expostos para os turistas, mas o som dos sinos substitutos é bem sonoro e impactante.

 

A abadia de Westminster - é um dos mais belos edifícios que já visitei na vida, à parte o grande número de personagens históricos homenageados de alguma forma no local. Eu diria que é imperdível.




A Torre de Londres - a famosa ponte ligada a ela foi destruída, hoje existem duas pontes próximas, uma chamada de ponte da Torre e outra chamada de ponte de Londres. Lá estão em exibição as famosas Jóais da Coroa.
Lá também pude verificar a atuação da polícia inglesa. Embora seja proibido filmar, na minha frente ia uma mulher tirando fotos de tudo, às escondidas. Na saída, uma policial feminina bloqueou a passagem dela e solicitou a câmera, que ela negou ter. Aí eu me fiz de interessada em alguma coisa na vitrine ao lado só para ver como a conversa ia terminar Em resumo foi algo assim. em voz baixa, discreta e firme:
- A senhora foi filmada tirando fotos. Entregue a câmera ou iremos para a delegacia.
A mulher entregou a câmera.
- Existem regras bem rigorosas de que as jóias não devem ser filmadas. A senhor infringiu essas regras. Hoje eu vou verificar suas fotos e apagar todas as que foram tiradas aqui.
Após uns 2 minutos, a policial devolveu a máquina:
- Muito obrigada, pode continua a sua visita, e lembre-se de respeitar a lei.
Sem escândalo. Com classe. À inglesa.


Alguns brinquedinhos (educativos ?) expostos à venda para as criancinhas inglesas neste encantador local:





Museu Britânico - onde você percebe que os ingleses foram os maiores piratas do mundo. Nào me impressionou muito. O prédio em si é grandioso, ali começou a museologia, e não se engane: a Cleópatra deles não é a Cleópatra de César! Gostei de ver a pedra da Roseta, embora tenha certeza de que se trata de uma imitação. (tem uma pequena placa la explicando que é uma imitação)Um milhão de turistas a menos também deixaria a visita mais confortável.
 :)

Interessante foi ver muitas excursões escolares, e adolescentes com seus cadernos anotando frases e procurando pistas, como se em alguma gincana. Jeito maneiro de aprender História!

Há muitos museus em Londres, uns dez gratuitos, só que eu fui premiada com 4 dias ensolarados em Londres, e optei pelos passeios externos.

Ah, sim, a gente vê a Roda Gigante London Eye de cada canto do centro de Londres.



domingo, 8 de junho de 2014

2014 - França - Provence


(crédito das fotos: Fernanda Rodrigues Vieira e eu )


Região maravilhosa, a Provence é um modo de vida.
Cidades cheirosas, luminosidade indiscritível, cores deslumbrantes.
Todas as cidades de Provence tem um dia de mercado (é a nossa feira, institução medieval maravilhosa, onde você via ver os produtos locais e também algum artesanato mais barato que nas lojinhas, tipo metade do preço) O mercado funciona só pela manhã, mas a manhã para eles começa às 9 e termina às 3, então não precisa sair correndo, dá até para almoçar em uma cidade e chegar na outra a tempo de pegar o mercado da segunda cidade aberta)
Outra coisa peculiar é que todas tem um carrossel, daqueles de cavalinhos, alguns com 2 andares, mas sempre cheios de crianças pequenas e seus pais, ao lado da praça central e da inevitável igrejinha (gótica, renascentista ou medieval)

Pedíamos um pichet de vinho ao jantar (uma jarra com o vinho local) ou soda bretã, que não é da região mas é francesa e deliciosa em dias de calor.
O café é que deixa muito a desejar, em todos os locais que visitamos - é muito forte ou aguado, o café com leite pode ser um café com uma espuma de leite por cima, o capuccino pode ser o que nós chamamos de café com leite, ou algo indefinível, eu preferi ficar nos chocolates quentes, era mais seguro, enquanto a Fernanda ia me contando o que vinha na chícara dela, que era sempre uma surpresa....só uma vez eu pedi chocolate e vieram : uma chícara de chocolate concentrado e um bulinho de leite quente para diluir (quando vi o bulinho gelei, pensando ser aquele leite gelado que os ingleses tem mania de servir, mas era quente, que bom).
É a região de comidas feitas à base de flores. Comi doces diversos, como calisson e guimauve, feitos com violeta, verbena e lavanda.

Avignon

Fomos de trem, bem confortáveis.
Ficamos no Isis Budget Centre - 8 Boulevard Dominique
Hotel simples, próprio para mochileiros, bem situado, do lado de fora da muralha, pela qual passavamos todos os dias em frente a uma placa que dizia 'Tous ensemble' e era ilustrada com umas ilustrações de pessoas, bicicletas, carros, e queria dizer isso mesmo: entrem todos juntos e seja o que Deus quiser...


Em vinte minutos andando estavamos no palácio dos papas, em mais 10 minutos na famosa ponte.
Lá passamos por um mendigo bem original, que nos assustou no primeiro dia pois estava sentado junto a uma vaca. No momento em que passamos, a vaca se mexeu e ouvimos um 'muuu' até repararmos que: a vaca era de pano, em tamanho natural, e que o mendigo a sacudiu por uma cordinha atada a seu pulso.








Imagino que as pessoas em Avignon se localizem assim: moro em tal portão, moro dentro / fora das muralha...




Fizemos de Avignon nosso ponto de dispersão, e daí passamos a excursionar, cada dia para uma ou mais cidades em Provence. Gostei da escolha, a cidade é pequena o suficiente para a gente não se perder, chegar sem correria à estação do trem ou saída dos onibus de excursões e, na volta, poder ir jantar com calma ao final do dia, geralmente na Praça do Relógio, bem central, rodeada por restaurantes e barzinhos.



Tomavamos café em um lugar tranquilo, gostoso, que abria às 8 enquanto os outros ainda estavam fechados, servia um café com leite bom e croissants crocantes, entre outras coisas boas.
Visitamos:


O Palácio dos Papas - que no momento estava sendo enfeitado com rosas para a comemoração da Ascensão de Nossa Senhora. Infelizmente eles usam o palácio para expor quadros de artistas modernos, o que, na minha opinião, descaracteriza totalmente o prédio, que é medieval. De lá de dentro temos bela vista da cidade, e, pelas ameias exteriores, podemos ver a catedral de Nossa Senhora do Dom, que fica ao lado, sobre o rochedo de mesmo nome, um excelente mirante.
A ponte Saint- Bénezet, mais conhecida como ponte de Avignon.



Há um passeio gratuito, bem interessante, de barco, pelo Ródano, até a outra margem - sai a cada 15 minutos; você ê a cidade pela outra margem e passeia um pouco mais; é muito usado por ciclistas, pois do outro lado há uma excelente ciclovia (pas pour tous...)



A torre de Filipe, o Belo - controla o acesso à ponte, é baratinho.
Igreja Gótica Notre Dame, com claustro, entrada franca.

                

Há outras igrejas, jardins e museus, se você tiver mais tempo e interesse. Há um Avignon Passion - um passe que dá direito a descontos progressivos nos monumentos visitados, no nosso caso, recebemos um desconto para uma excursão que agendamos no Centro de Turismo, que abre só às 9 horas e no domingo às 10 (então, se você quiser fazer uma excursão no domingo, tem de deixar agendada no sábado!)


Arles



Quando fizer Arles, faça junto Saint-Rémy  - pode pegar uma excursão ou ir de trem de Avignon para Arles, de onibus para Saint Rémy e voltando de trem para Avignon. É melhor ir de excursão, como descobrimos depois, pois os horários dos trens são desconexos, acabamos perdendo Saint Rémy e fomos direto a Arles, pensando que era uma cidade maior - ledo engano, em 3 horas fizemos tudo, apesar de o pessoal do turismo afirmar que estava havendo uma grande exposição da Fundação Van Gogh naquele dia.


Arles é uma cidade deliciosa de se andar, cheia de ruelas frescas (estava muito quente neste dia).
A praça central tem casa curiosas, de fachada de madeira enfeitadas com traves enviesadas, e parecem meio tortas.
As ruas tem um sistema interessante para conter o trânsito - há no meio das ruas pequenos postes de uns 60 cm que impedem a circulação dos carros, mas se abaixam para deixar os ônibus passarem!

Logo na entrada há uma estátua em frente à famosa Arena, bem conservada; depois fomos até o teatro, bem destruidinho, mas dá para ter uma idéia do esplendor de outrora. Infelizmente, estava todo cheio de arquibancadas para apresentação de espetáculos culturais locais, então as fotos estavam fora de questão, e as visitas seriamente comprometidas. (diga-se o mesmo do palácio dos papas em Avignon)

Thermas de Constatino - ruínas romanas, onde soubemos que a água do Ródano era utilizada para os banhos, passando por um sistema de aquecimento gradativo em fornos externos; aquecida, a água era canalizada e distribuída de forma a fornecer banhos em 3 diferentes temperaturas nas diversas piscinas termais. Se tiver templo, há jardins, museus e outras romanidades para visitar. 
Quanto ao caminho de Van Goh, ele decepciona - no hospital onde ele esteve internado há hoje um centro cultural, onde estão expostas cópias de 2 quadros que ele pintou no local - o jardim é mantido como era, para fazer juz ao quadro; a fundação Van Gogh estava em Arles neste dia com uma exposição da qual constava 6 quadros do autor e várias gravuras dos autores japoneses que ele admirava. Foi meio que anti-climax, pois eu fui seca para ver o tal caminho de Van Gogh!

Pegamos um excursão em Avignon que se denomina the Best of Provence e vai para as seguintes cidades:
PONT DU GARD - LES BAUX DE PROVENCE - SAINT RÉMY DE PROVENCE (arrêt photo) - ROUSSILLON - GORDES - ABBAYE DE SÉNANQUE - FONTAINE DE VAUCLUSE

Saint Rémy de Provence:

Para sorte nossa, que não havíamos ido a Saint Rémy, o motorista não fez apenas a parada para fotos, mas entrou na cidade e nos deu 15 minutos para circular por lá: é minúscula, circular, encantadora!

fonte homenageando Nostradamus, que nasceu em Saint-Rémy

 Ainda consegui fazer umas comprinhas, de coisas que já tinha em mente comprar e achei bem mais barato por lá. Na saída, há o hospício onde Van gogh foi internado, onde passamos bem rápido, vimos por fora mas não paramos para fotos. O  Monastery of Saint Paul Mausole é hoje usado como hospital psiquiátrico, e se você quiser fazer um passeio pelos caminhos por onde o pintor andou, tem uma excursão específica para isso, e pelo que sei, o quarto onde ele ficou é uma montagem, e os caminhos nem existem mais. Como ele viveu em e diferentes países e em 37 diferentes casas, a história dele ficou pulverizada.


L'isle sur la Sorge




Passamos por lá a caminho da próxima cidade - bonita, sobre o rio Sorge, que serpenteia pela cidade.
O som das águas por todas estas cidades cheias de fontes e rios é relaxante. Bem como o som dos campanários dessas igrejas antigas.

Fontain-de-Vaucluse



é um vale maravilhoso, e passamos rapidinho só para admirar os montes Vaucluse e Ventoux, e a água que flui pela cidade toda em sons refrescantes.
A cidade  é um local bem bonito, cheio de canais, com rodas d'água. As rodas d' água estavam cheias de algas imensas presas em suas rodas.  Tem um castelo sobre um rochedo em posição maravilhosa, as rochas e as árvres em volta fazem você ter vontade de pintar a paisagem. Pintar, não tirar fotos. 




  rio embaixo, paredão de pedras no alto...tudo lindo.


Roussilon

Esta região é de terra argilosa, rica em ferro, de onde se tira a matéria prima das tintas ocres, o chamado Maciço de Luberon.
O passeio principal é atrevessar tortuosos caminhos e pontes em meio a escarpadas rochas de todos os tons entre o vermelho e o amarelo, em pleno sol, há alguns atalhos por meio de carvalhos também, um mirante -  é bem grande o 'sentier dos ocres', e eles tem para vender o pó para você levar para casa e fazer suas próprias tintas, como os artistas antigos faziam...um luxo.




Há a local de manufatura de tintas para ser visitada - o conservatoire des ocres -  no dia em que fomos estava fechada, uma pena.

A cidade é feita de casas vermelhas, ou beges, ou laranjas, ou castanhas, ou... já entendeu, em qualque tom parecido com ocre, pois conforme o tempo passa e conforme as chuvas caem, as cores vão mudando. O resultado é uma sensação quente.


Nîmes


Nem acredito que não coloquei esta cidade em meu percurso, e só fui la porque a excursão passava por ali.
Foi a cidade que mais me agradou. Era tão bonito que os romanos e chamavam de segunda Roma.

 a fonte Pradier.

À entrada da cidade há um monumento mais recente, completamente laico, a fonte Pradier (este é o nome do escultor), e que representa a cidade e seus quatro mananciais, entre eles o rio Ródano. O aspecto da estátua engana, porque parecem seres mitológicos.
Na verdade, não são ruínas romanas, eu diria que são monumentos romanos inteiros, só faltam os romanos, e se você for na sessão de cinema deles, nem os romanos vão faltar!
Tudo está muito bem preservado, e a cidade original era enorme!

em frente ao anfiteatro, que por algum tempo foi utilizado para touradas, está a estátua de um toureiro famoso, o Nimeño II.

No Jardim de la Fontaine há diversas estátuas bem conservadas e a caminhada é bem longa.
Em 3 horas dá para visitar todos os monumentos romanos, andar pelo jardim e visitar dois museus, além de almoçar com tranquilidade.
     

Comi o doce mais delicioso de minha vida em um lugar chamado L'arbousier, que servia comida libanesa - a gente estava meio cansada de crêpes, croque-monsieurs e comida italiana (que é o que se pede quando se está com fome, já que a comida francesa é cara, leve e as porções são insuficientes para a minha fome de sete horas de caminhada diárias). O banheiro deste local também era charmoso, com flores cheirosas e vasos artisticamente arranjados pelas paredes. Fora que ali compramos também guimauve (é o nome de uma planta de onde se extrai uma goma deliciosa) de vários sabores, entre eles violeta.
Atualmente é vendido por aí uma coisa artificial feita de açucar e sem a planta original, que todo mundo conhece como 'marshmallow'.
Mas em França você come o guimauve original, feito com a planta.



Há dois museus gratuitos em Nîmes que mostram coisas da cidade: o de arqueologia, com peças variadas retiradas das escavações arqueológicas locais em Gard, por exemplo. O museu dos costumes mostra a tradiçao na fabricação de tecidos, como a seda e o brim (denim) que era aí fabricado e exportado.
É também a cidade onde nasceu Guiseppe Garibaldi.

Pont du Gard

A atração principal é o viaduto, que levava água de Uzés para Nîmes, por um desnível de cerca de 30
metros no terreno.


A caminho do viaduto, repare nas árvores - há aqui oliveiras de cerca de 500 anos. 
O nome do rio é Gardon, e, como em muitas cidades da região, você encontra pela cidade placas com dois nomes, um em francês e outro em provençal.


         
  Ainda há pessoas na faixa dos 80 que falam (e transmitem a seus filhos e netos) o provençal, a língua está viva ainda.

O local é bem maior do que eu supunha, e tem mais atrações do que o viaduto: tem cinema, museu, lojas, restaurantes, sorveterias, praias fluviais com direito a passeios de barco, calçadões com pistas para caminhada e ciclismo.


Gordes
Aí visitamos a cidade alta, em volta do rochedo, e vista linda.
A Village des Bourries - são casinhas feitas em pedra pelas populações antigas, dizem que são anteriores a Cristo, e que foram abandonadas no século XIX, sendo usadas hoje como depósito vegetais e animais.

Ainda hoje o aspecto medieval se mantém porque há certas regras: todo cabeamento é por subsolo, e a aparência das casas deve ser parede de pedra e telhado de terracota, não sendo permitido o uso de cercas ou portões modernos, para não descaracterizar a região como atração turística.

Aix-en Provence


A maior cidade da região, com muitas linhas de trens e onibus disponíveis, e preços bem acima dos encontrados nas outras cidades da região. Eu não a escolheria para meu ponto de partida, pois é muito urbana, preferi Avignon, que também dispõe de trens e pode ser cruzada a pé meia hora.
A vedete da cidade e Cours Mirabeau, pintada por Cézanne, arborizada por estranhas árvores de casca branca e poucas folhas, talvez tivessem sido podadas redentemente, a avenida é grande, linda, porém fugi dela porque chegamos depois do almoço em um dia muito quente e aí se ficava exposto diretamente ao sol.

Não se consegue ver o Monte Saint Victoire da cidade, tem-se vista parcial dos locais mais altos, o monte é melhor vista da estrada.
Esse monte era um tema preferido do pintor Cézanne.
Esta é uma cidade cheia de artistas, atuais e antigos, procure o seu preferido para acompanhar.
O caminho de Cézanne, que me foi proposto, é longo e sem grande interesse a não ser aos estudantes de arte ou aficcionados pelo pintor.
O escritório de turismo local oferece um passeio combinado a 3 locais com quadros de Cézanne, em um trenzinho aberto, em agradável, que poupa tempo e dinheiro ao turista.
Estou sentada no jardim do atelier de Cezanne, bem alto, em local lindo, fresco e agradável.

Se tiver pouco tempo, estiver a pé e quiser ver o atelier de Cézanne, pegue um ônibus. O caminho é longo, ladeira acima, sem nada interessante no percurso e o calor que fazia retardou nossa marcha. Lá encontramos a última casa do autor, onde ele construiu seu local de trabalho do jeito que queria, com um amplo janelão, bem no meio de uma grande área verde, e seus objetos de pintura estão por lá.
Há muitos outros museus em Aix, mas o encanto das pequenas cidades charmosas está ausente.

A, para finalizar, a estátua de Cezanne, bem no centro da cidade:

Les beaux de Provence

Fazem parte dos Alpes provençais, são montanhas de pedras sem grande interesse em si mesma, depois de se ter visto outras cidadezinhas encravadas na pedra, com seu respectivo castelinho.



Havia multidões de gente entupindo as estradas, congestionando os estacionamentos, no dia em que fomos lá.
Em Beaux está um programa todo especial, e você precisa reservar o dia para isso, pois é longe, as filas são gigantes e a visita demorada: é o Carrières des Lumières, espetáculos feitos nos espaços entre as pedras, como cinemas, espetáculos variados e exposições de pinturas, tudo muito fresquinho por estar à sombra das pedras, mas é preciso agendar com antecedência, comprar pelo site, pois as filas são gigantescas.
Por mim, a não ser pelos espetáculos, não iria até ali.


Abadia de Sénanque

A gente só viu da estrada, lá do alto, fica em uma vale profundo, depois passamos em frente a caminha da próxima cidade.
Aí eles cultivam as lavandinas, que pudemos ver, estavam no início da florada.Não confundir com lavandas.
Há duas plantas parecidas nesta região - a lavanda, de onde se extrai o delicioso perfume, e cujas plantas são cultivadas no meio a outras gramíneas, e a lavandine, de odor forte e de onde é retirado uma subsância detergente utilizada na extraçao da cânfora, e o cultivo da lavandina é feito em solo limpo, portanto entre as fileiras de lavandina só se vê cascalho.

Provence, enfim, é linda!
Ainda não fui a Luberon, a terra das plantações de lavanda, pois é só no mes próprio que se pode ver as plantações. Está na minha agenda.