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segunda-feira, 16 de junho de 2014

França - Alpes Marítimos - 2014



Esta região da França é quente, e o estilo de vida do Mediterrâneo está por toda parte: azeites, queijos, vinhos, varandas, barcos, e o mar maravilhoso, verdinho, verdinho, um ar luminoso que é impossível captar por fotos ou pinturas.


                                              

Muito do glamour que se imagina ter por aqui é ilusão, coisas de quem assiste muito cinema. O povo é simples, o acento é italiano, e tem o que eu chamo de cultura de praia: o cidadão que vem para a praia quer relaxar, esquecer das coisas sérias, ficar no 'dolce far niente', e, no processo, esquece as regras mais simples de respeito ao próximo - as motos passam pelas calçadas, os ônibus invadem as faixas de pedestres, os pedestres se impacientam e avançam pelas ruas antes do sinal ficar verde e por aí vai.

De um modo geral, as cidades aqui foram construídas em cima de um rochedo nas priscas eras, e hoje toda cidade tem o seu castelo lá no alto, um vale lindo embaixo e uma infinidade de pequenas lojinhas encantadoras.
De modo que, se na região do Loire o modelo era cidade com castelo sobre o rio, em Provence o modelo era cidade com castelo dentro do muro, aqui o modelo é cidade com castelo lá bem no alto, tá vendo? Lá... longe...

Nice

Palácio Massena - fica bem no centro da cidade velha, na praça de mesmo nome, é muito bonito, rico, sofisticado, não fica nada a dever aos castelo do vale do Loire em termos de conservação, tetos, esculturas, quadros, cortinas e outros detalhes arquitetônicos, porém ele tem, sobre os castelos do vale do Loire, duas diferenças no interior (no exterior, é óbvio, a diferença é que não está em cima de um rio):
1 - é gratuito.
2 - um milhão de turistas a menos.

                                 


Praças - bem gostosa é a praça Garibaldi, outras da cidade velha são a praça Garnier e a Praça do Palácio. Esta da foto é a
                                          Place Massena.

                             
Promenade des anglaises - é o calçadão da praia, e por ele vamos passando por locais outrora divinizados, como o Cassino, o Hotel Negresco, o Jardin des Verdures (que serve de palco para apresentações musicais e teatrais) e é o começo da Promenade du Paillon.
                                                 


Promenade du Paillon -  é uma grande passarela que atravessa a cidade velha e vai passando por lugares bonitos. Tem um parque aquático enorme, para adultos inclusive, fontes, um espaço para feiras, e um parque infantil temático bem fofinho, onde todos os brinquesos são feitos de madeira e imitam fauna marinha.

                                    

Jardin des enfants - é na rocha, tem um mirante bonito, e árvores bem lindas, para ir lá é uma caminhada meio longa, para se fazer pela manhã ou final de tarde.

Vieux Nice - são as ruas da cidade velha, com suas ruelas estreitas, algumas com escadarias, bem ensombreadas, fresquinhas para se caminhar ao abrigo do sol, sinuosas, e por onde abundam lojinhas, sorveterias, bares, casas de doces, restaurantes etc
Era o meu local diário de caminhada, pois começava a duas quadras de meu hotel e é bem mais agradável que andar ao sol.

Port - é bem antigo, a ciade se origina do porto, que durante os séculos pertenceu a povos diversos.

Parc de la Colline du Château - da praia, pode-se ver, lá no alto, uma bela cahoeira. Para grande alívio do turista, há um elevador, do tipo automático, que abre e fecha sozinho e pára de funcionar se alguém encosta nele. Há a opção de subir por íngremes degraus de pedra, para os masoquistas e claustrófobos. Lá em cima, há as ruínas de um castelo, um sítio arqueológico metade fechado, uma bela e refrescante cahoeira, um mirante maravilhoso e um grande jardim.

Museu Arqueológico de Nice - quando cheguei aqui, estava acontecendo uma jornada arqueológica, da qual eu participei gratuitamente com outros 50 turistas tão esquisitos como eu, do tipo que troca a praia por uma discussão sobre Otávio e sua luta contra os gauleses. :)

                          

Cimiez - é um sítio arqueolígico bem longíquo, no alto de uma colina onde também fica o Museu Matisse e uma igreja. O sítio contém ruínas de uma cidade romana da época de Otávio (aquele que rejeitou a Cleópatra) com uma arena e uma terma semi conservadas. A palestra com o arqueólogo foi show, havia dois, um especialista em pedras e outro especialista em cerâmica. Aprendemos que os habitantes gauleses da colina, que habitavam o Bosque Sagrado - o local ainda está lá, em frente à igrejinha - resistiram aos romanos, e o nome da tribo não consta da lista de cidades romanas pacificadas (bem como a tribo bretã do Asterxi :)
O nome desta cidade gaulesa era Cemenelum, ou Cimiez, como se diz hoje, e eles eram diferentes do povo que vivia embaixo da colina, da cidade de Nikaia, esses, sim, pacificados. de qualquer forma, Otávio fez um pacto com a tribo, e eles permitiram a construção da cidade lá em cima, desde que os romanos não destruíssem o bosque sagrado deles.
Tierra Amata - este outro sítio fica próximo ao porto, em uma colina. É um sítio ocupado há 400 mil anos por habitantes de uma cabana à beira mar, pois na época o mar estava a 26 m acima do nível atual. Esse sítio foi descoberto em 1958 quando a terra foi escavada para a construção de um prédio. Os arqueólogos exploraram o local, e o prédio foi construído em cima do sítio, que ainda existe, e é uma parte do museu - visita-se o sítio, pode-se ver os objetos e ossos achados lá, e há salas de aulas para as crianças que visitam o local e participam de muitas oficinas com trabalhos manuais bem interessantes. Uma réplica de como seria a cabana, e maquetes de como seria a vida naquela aldeola estão lá, ao lado de gráficos geológicos muito interessantes. (para mim a para o Ross, pelo menos :)
Cripta na praça Jacques Toja - uma sala de 2 mil m2 que foi descoberta em 2002 ao se escavarem o local para a passagem do monotrilho. Trata-se de um caminho que ligava a porta Pairolière a um forte do século XIV, e que foi encoberto por ordem de Luís XIV em 1706 e ficou completamente esquecido por 3 séculos.
Ora, para que ficar torrando na praia, se há lugares tão interessantes para ver, não é mesmo?

Cinema - fui várias vezes afinal, cinema francês atual a cinco euros não é todo dia que se encontra. Aqui o cinema não se come nem se bebe no cinema, nem existe lugar para vender doces ou refrescos. A vendedora sai do seu posto, senta no sofá da sala de espera e fica conversando com o público até cinco minutos antes da sessão, quando ela vai ao guichê e começa a vender os ingressos. Quando se entra na sala, o filme começa direto, sem propaganda, filme de segurança ou trailler. O cinema é palco de lançamento de livros, também, e quem sai da sessão se vê misturado a quem veio para o lançamento, se quiser participa do coquetel e pode até comprar o livro, claro. Sinta-se em casa. 


Praia - de pedrinhas, neca de areia. Do tipo dê 3 passos oeo a água está na sua cintura. Muito difícil de andar nesta praia, pouca gente se anima a entrar, e vi umas sapatilhas de mergulho à venda em algumas lojas. O fato é que, com a maioria dos turistas, simplesmente não funciona entrar na água pois não se sabe o que fazer com a mochila (sim, tem ladrão por aqui). O que se vê de gente sozinha, inclusive a mocidade, é de preocupar - sozinhos e sem nenhum interesse de se enturmar, como se fosse muito perigoso falar com estranhos. Estou em uma classe com 15 pessoas de nacionalidade diferente, ninguém se fala, e não continuidade a quem tenta puxar assunto. E o professor insiste: bem, vocês tem de falar uns com os outros, afinal não existe outro jeito de aprender a conversar senão conversando...

Monumentos variados - Opéra, igrejas, Forum.
Museus - entre eles o Chagall e o Matisse, além do de Arte Moderna (o que tem o monumento com uma cara quadrada, do sujeito que pensa dentro da caixinha). Para os admiradores do gênero.

Comidinhas locais:
Socca - parace uma panqueca em forma de pizza, relutei em comer e acabei ficando fã. Servida quente, com cebolinhas ou azeitonas, é muito bom.
Passaladière - é uma pizza de cebola, feita à moda de uma tal de Andréia, e de pizza ao jeito da andrea acabou virando pissaladière... Meio sem gracinha.
Torte de blettes - tem a doce e a salgada. Blette é uma verdura semelhante ao espinafre.
Merde de can - um ghocci feito com a mesma blette, portanto um gnocci verde...

                                 
Festas - aqui tem festa de tudo no verão: feira de livros nas praças, festa da música no dia 21 de junho (os moradores chamam de festa da barulheira); festivais de verão com peças teatrias, músicas clássica e moderna em vários palcos.


Mônaco

A cidade é construída em torno da figura do rei Alberto I.
Tudo gira em torno da memória deste soberano.

O Museu Oceanográfico e o Aquário - onde não há nenhuma foto ou menção à equipe do Jacques Cousteau. Há alguns livros infantis sobre a equipe dele na loja do museu. Fico pensando o que aconteceu para o pessoal de Monaco nem citar o nome dele, não tem uma rua, uma praça, uma estátua, como se ele não fosse nada...

                                 

O Jardim Exótico - de cactus, bem no alto da colina. Vista aérea da cidade.

                                            
Passeio de trenzinho - parte da frente do Museu Oceanográfico e leva a gente para os principais locais:
 Cassino Monte Carlo,
a fonte Mirabeau,
o porto,
o circuito de fórmula 1 (que são as ruas da cidade e não um autódromo),
a catedral,
a igreja de Santa Devota,
o Hotel de Paris e
o Palácio do Príncipe.



Ezy


 

Um amor de cidade, cheio de artistas e artisãos, com exposições de quadros e lojas sofisticadas vendendo griffes carésimas, como as do nosso Britto (ele mesmo, orgulho nacional). De rendas a quadros, você encontra de tudo. Uma festa para os olhos!
Para quem gosta de cactus, tem o Jardim Exótico, semelhante ao de Mônaco.
O cemitério deles está em um lugar alto e encantador, e lá fomos nós cemitério adentro...
Tem também um castelo particular, fechado a visitação, acredita?

                                                 

Obs:  - de Nice saem excursões de um dia para Ezy e Mônaco de uma só vez; fica meio corrido, eu gostei mais de fazer uma cidade por dia.
O inconveniente é que o trem para Mônaco e o ônibus para Ezy saem e voltam lotados. Imagino como deve ser no auge do verão...

domingo, 8 de junho de 2014

2014 - França - Provence


(crédito das fotos: Fernanda Rodrigues Vieira e eu )


Região maravilhosa, a Provence é um modo de vida.
Cidades cheirosas, luminosidade indiscritível, cores deslumbrantes.
Todas as cidades de Provence tem um dia de mercado (é a nossa feira, institução medieval maravilhosa, onde você via ver os produtos locais e também algum artesanato mais barato que nas lojinhas, tipo metade do preço) O mercado funciona só pela manhã, mas a manhã para eles começa às 9 e termina às 3, então não precisa sair correndo, dá até para almoçar em uma cidade e chegar na outra a tempo de pegar o mercado da segunda cidade aberta)
Outra coisa peculiar é que todas tem um carrossel, daqueles de cavalinhos, alguns com 2 andares, mas sempre cheios de crianças pequenas e seus pais, ao lado da praça central e da inevitável igrejinha (gótica, renascentista ou medieval)

Pedíamos um pichet de vinho ao jantar (uma jarra com o vinho local) ou soda bretã, que não é da região mas é francesa e deliciosa em dias de calor.
O café é que deixa muito a desejar, em todos os locais que visitamos - é muito forte ou aguado, o café com leite pode ser um café com uma espuma de leite por cima, o capuccino pode ser o que nós chamamos de café com leite, ou algo indefinível, eu preferi ficar nos chocolates quentes, era mais seguro, enquanto a Fernanda ia me contando o que vinha na chícara dela, que era sempre uma surpresa....só uma vez eu pedi chocolate e vieram : uma chícara de chocolate concentrado e um bulinho de leite quente para diluir (quando vi o bulinho gelei, pensando ser aquele leite gelado que os ingleses tem mania de servir, mas era quente, que bom).
É a região de comidas feitas à base de flores. Comi doces diversos, como calisson e guimauve, feitos com violeta, verbena e lavanda.

Avignon

Fomos de trem, bem confortáveis.
Ficamos no Isis Budget Centre - 8 Boulevard Dominique
Hotel simples, próprio para mochileiros, bem situado, do lado de fora da muralha, pela qual passavamos todos os dias em frente a uma placa que dizia 'Tous ensemble' e era ilustrada com umas ilustrações de pessoas, bicicletas, carros, e queria dizer isso mesmo: entrem todos juntos e seja o que Deus quiser...


Em vinte minutos andando estavamos no palácio dos papas, em mais 10 minutos na famosa ponte.
Lá passamos por um mendigo bem original, que nos assustou no primeiro dia pois estava sentado junto a uma vaca. No momento em que passamos, a vaca se mexeu e ouvimos um 'muuu' até repararmos que: a vaca era de pano, em tamanho natural, e que o mendigo a sacudiu por uma cordinha atada a seu pulso.








Imagino que as pessoas em Avignon se localizem assim: moro em tal portão, moro dentro / fora das muralha...




Fizemos de Avignon nosso ponto de dispersão, e daí passamos a excursionar, cada dia para uma ou mais cidades em Provence. Gostei da escolha, a cidade é pequena o suficiente para a gente não se perder, chegar sem correria à estação do trem ou saída dos onibus de excursões e, na volta, poder ir jantar com calma ao final do dia, geralmente na Praça do Relógio, bem central, rodeada por restaurantes e barzinhos.



Tomavamos café em um lugar tranquilo, gostoso, que abria às 8 enquanto os outros ainda estavam fechados, servia um café com leite bom e croissants crocantes, entre outras coisas boas.
Visitamos:


O Palácio dos Papas - que no momento estava sendo enfeitado com rosas para a comemoração da Ascensão de Nossa Senhora. Infelizmente eles usam o palácio para expor quadros de artistas modernos, o que, na minha opinião, descaracteriza totalmente o prédio, que é medieval. De lá de dentro temos bela vista da cidade, e, pelas ameias exteriores, podemos ver a catedral de Nossa Senhora do Dom, que fica ao lado, sobre o rochedo de mesmo nome, um excelente mirante.
A ponte Saint- Bénezet, mais conhecida como ponte de Avignon.



Há um passeio gratuito, bem interessante, de barco, pelo Ródano, até a outra margem - sai a cada 15 minutos; você ê a cidade pela outra margem e passeia um pouco mais; é muito usado por ciclistas, pois do outro lado há uma excelente ciclovia (pas pour tous...)



A torre de Filipe, o Belo - controla o acesso à ponte, é baratinho.
Igreja Gótica Notre Dame, com claustro, entrada franca.

                

Há outras igrejas, jardins e museus, se você tiver mais tempo e interesse. Há um Avignon Passion - um passe que dá direito a descontos progressivos nos monumentos visitados, no nosso caso, recebemos um desconto para uma excursão que agendamos no Centro de Turismo, que abre só às 9 horas e no domingo às 10 (então, se você quiser fazer uma excursão no domingo, tem de deixar agendada no sábado!)


Arles



Quando fizer Arles, faça junto Saint-Rémy  - pode pegar uma excursão ou ir de trem de Avignon para Arles, de onibus para Saint Rémy e voltando de trem para Avignon. É melhor ir de excursão, como descobrimos depois, pois os horários dos trens são desconexos, acabamos perdendo Saint Rémy e fomos direto a Arles, pensando que era uma cidade maior - ledo engano, em 3 horas fizemos tudo, apesar de o pessoal do turismo afirmar que estava havendo uma grande exposição da Fundação Van Gogh naquele dia.


Arles é uma cidade deliciosa de se andar, cheia de ruelas frescas (estava muito quente neste dia).
A praça central tem casa curiosas, de fachada de madeira enfeitadas com traves enviesadas, e parecem meio tortas.
As ruas tem um sistema interessante para conter o trânsito - há no meio das ruas pequenos postes de uns 60 cm que impedem a circulação dos carros, mas se abaixam para deixar os ônibus passarem!

Logo na entrada há uma estátua em frente à famosa Arena, bem conservada; depois fomos até o teatro, bem destruidinho, mas dá para ter uma idéia do esplendor de outrora. Infelizmente, estava todo cheio de arquibancadas para apresentação de espetáculos culturais locais, então as fotos estavam fora de questão, e as visitas seriamente comprometidas. (diga-se o mesmo do palácio dos papas em Avignon)

Thermas de Constatino - ruínas romanas, onde soubemos que a água do Ródano era utilizada para os banhos, passando por um sistema de aquecimento gradativo em fornos externos; aquecida, a água era canalizada e distribuída de forma a fornecer banhos em 3 diferentes temperaturas nas diversas piscinas termais. Se tiver templo, há jardins, museus e outras romanidades para visitar. 
Quanto ao caminho de Van Goh, ele decepciona - no hospital onde ele esteve internado há hoje um centro cultural, onde estão expostas cópias de 2 quadros que ele pintou no local - o jardim é mantido como era, para fazer juz ao quadro; a fundação Van Gogh estava em Arles neste dia com uma exposição da qual constava 6 quadros do autor e várias gravuras dos autores japoneses que ele admirava. Foi meio que anti-climax, pois eu fui seca para ver o tal caminho de Van Gogh!

Pegamos um excursão em Avignon que se denomina the Best of Provence e vai para as seguintes cidades:
PONT DU GARD - LES BAUX DE PROVENCE - SAINT RÉMY DE PROVENCE (arrêt photo) - ROUSSILLON - GORDES - ABBAYE DE SÉNANQUE - FONTAINE DE VAUCLUSE

Saint Rémy de Provence:

Para sorte nossa, que não havíamos ido a Saint Rémy, o motorista não fez apenas a parada para fotos, mas entrou na cidade e nos deu 15 minutos para circular por lá: é minúscula, circular, encantadora!

fonte homenageando Nostradamus, que nasceu em Saint-Rémy

 Ainda consegui fazer umas comprinhas, de coisas que já tinha em mente comprar e achei bem mais barato por lá. Na saída, há o hospício onde Van gogh foi internado, onde passamos bem rápido, vimos por fora mas não paramos para fotos. O  Monastery of Saint Paul Mausole é hoje usado como hospital psiquiátrico, e se você quiser fazer um passeio pelos caminhos por onde o pintor andou, tem uma excursão específica para isso, e pelo que sei, o quarto onde ele ficou é uma montagem, e os caminhos nem existem mais. Como ele viveu em e diferentes países e em 37 diferentes casas, a história dele ficou pulverizada.


L'isle sur la Sorge




Passamos por lá a caminho da próxima cidade - bonita, sobre o rio Sorge, que serpenteia pela cidade.
O som das águas por todas estas cidades cheias de fontes e rios é relaxante. Bem como o som dos campanários dessas igrejas antigas.

Fontain-de-Vaucluse



é um vale maravilhoso, e passamos rapidinho só para admirar os montes Vaucluse e Ventoux, e a água que flui pela cidade toda em sons refrescantes.
A cidade  é um local bem bonito, cheio de canais, com rodas d'água. As rodas d' água estavam cheias de algas imensas presas em suas rodas.  Tem um castelo sobre um rochedo em posição maravilhosa, as rochas e as árvres em volta fazem você ter vontade de pintar a paisagem. Pintar, não tirar fotos. 




  rio embaixo, paredão de pedras no alto...tudo lindo.


Roussilon

Esta região é de terra argilosa, rica em ferro, de onde se tira a matéria prima das tintas ocres, o chamado Maciço de Luberon.
O passeio principal é atrevessar tortuosos caminhos e pontes em meio a escarpadas rochas de todos os tons entre o vermelho e o amarelo, em pleno sol, há alguns atalhos por meio de carvalhos também, um mirante -  é bem grande o 'sentier dos ocres', e eles tem para vender o pó para você levar para casa e fazer suas próprias tintas, como os artistas antigos faziam...um luxo.




Há a local de manufatura de tintas para ser visitada - o conservatoire des ocres -  no dia em que fomos estava fechada, uma pena.

A cidade é feita de casas vermelhas, ou beges, ou laranjas, ou castanhas, ou... já entendeu, em qualque tom parecido com ocre, pois conforme o tempo passa e conforme as chuvas caem, as cores vão mudando. O resultado é uma sensação quente.


Nîmes


Nem acredito que não coloquei esta cidade em meu percurso, e só fui la porque a excursão passava por ali.
Foi a cidade que mais me agradou. Era tão bonito que os romanos e chamavam de segunda Roma.

 a fonte Pradier.

À entrada da cidade há um monumento mais recente, completamente laico, a fonte Pradier (este é o nome do escultor), e que representa a cidade e seus quatro mananciais, entre eles o rio Ródano. O aspecto da estátua engana, porque parecem seres mitológicos.
Na verdade, não são ruínas romanas, eu diria que são monumentos romanos inteiros, só faltam os romanos, e se você for na sessão de cinema deles, nem os romanos vão faltar!
Tudo está muito bem preservado, e a cidade original era enorme!

em frente ao anfiteatro, que por algum tempo foi utilizado para touradas, está a estátua de um toureiro famoso, o Nimeño II.

No Jardim de la Fontaine há diversas estátuas bem conservadas e a caminhada é bem longa.
Em 3 horas dá para visitar todos os monumentos romanos, andar pelo jardim e visitar dois museus, além de almoçar com tranquilidade.
     

Comi o doce mais delicioso de minha vida em um lugar chamado L'arbousier, que servia comida libanesa - a gente estava meio cansada de crêpes, croque-monsieurs e comida italiana (que é o que se pede quando se está com fome, já que a comida francesa é cara, leve e as porções são insuficientes para a minha fome de sete horas de caminhada diárias). O banheiro deste local também era charmoso, com flores cheirosas e vasos artisticamente arranjados pelas paredes. Fora que ali compramos também guimauve (é o nome de uma planta de onde se extrai uma goma deliciosa) de vários sabores, entre eles violeta.
Atualmente é vendido por aí uma coisa artificial feita de açucar e sem a planta original, que todo mundo conhece como 'marshmallow'.
Mas em França você come o guimauve original, feito com a planta.



Há dois museus gratuitos em Nîmes que mostram coisas da cidade: o de arqueologia, com peças variadas retiradas das escavações arqueológicas locais em Gard, por exemplo. O museu dos costumes mostra a tradiçao na fabricação de tecidos, como a seda e o brim (denim) que era aí fabricado e exportado.
É também a cidade onde nasceu Guiseppe Garibaldi.

Pont du Gard

A atração principal é o viaduto, que levava água de Uzés para Nîmes, por um desnível de cerca de 30
metros no terreno.


A caminho do viaduto, repare nas árvores - há aqui oliveiras de cerca de 500 anos. 
O nome do rio é Gardon, e, como em muitas cidades da região, você encontra pela cidade placas com dois nomes, um em francês e outro em provençal.


         
  Ainda há pessoas na faixa dos 80 que falam (e transmitem a seus filhos e netos) o provençal, a língua está viva ainda.

O local é bem maior do que eu supunha, e tem mais atrações do que o viaduto: tem cinema, museu, lojas, restaurantes, sorveterias, praias fluviais com direito a passeios de barco, calçadões com pistas para caminhada e ciclismo.


Gordes
Aí visitamos a cidade alta, em volta do rochedo, e vista linda.
A Village des Bourries - são casinhas feitas em pedra pelas populações antigas, dizem que são anteriores a Cristo, e que foram abandonadas no século XIX, sendo usadas hoje como depósito vegetais e animais.

Ainda hoje o aspecto medieval se mantém porque há certas regras: todo cabeamento é por subsolo, e a aparência das casas deve ser parede de pedra e telhado de terracota, não sendo permitido o uso de cercas ou portões modernos, para não descaracterizar a região como atração turística.

Aix-en Provence


A maior cidade da região, com muitas linhas de trens e onibus disponíveis, e preços bem acima dos encontrados nas outras cidades da região. Eu não a escolheria para meu ponto de partida, pois é muito urbana, preferi Avignon, que também dispõe de trens e pode ser cruzada a pé meia hora.
A vedete da cidade e Cours Mirabeau, pintada por Cézanne, arborizada por estranhas árvores de casca branca e poucas folhas, talvez tivessem sido podadas redentemente, a avenida é grande, linda, porém fugi dela porque chegamos depois do almoço em um dia muito quente e aí se ficava exposto diretamente ao sol.

Não se consegue ver o Monte Saint Victoire da cidade, tem-se vista parcial dos locais mais altos, o monte é melhor vista da estrada.
Esse monte era um tema preferido do pintor Cézanne.
Esta é uma cidade cheia de artistas, atuais e antigos, procure o seu preferido para acompanhar.
O caminho de Cézanne, que me foi proposto, é longo e sem grande interesse a não ser aos estudantes de arte ou aficcionados pelo pintor.
O escritório de turismo local oferece um passeio combinado a 3 locais com quadros de Cézanne, em um trenzinho aberto, em agradável, que poupa tempo e dinheiro ao turista.
Estou sentada no jardim do atelier de Cezanne, bem alto, em local lindo, fresco e agradável.

Se tiver pouco tempo, estiver a pé e quiser ver o atelier de Cézanne, pegue um ônibus. O caminho é longo, ladeira acima, sem nada interessante no percurso e o calor que fazia retardou nossa marcha. Lá encontramos a última casa do autor, onde ele construiu seu local de trabalho do jeito que queria, com um amplo janelão, bem no meio de uma grande área verde, e seus objetos de pintura estão por lá.
Há muitos outros museus em Aix, mas o encanto das pequenas cidades charmosas está ausente.

A, para finalizar, a estátua de Cezanne, bem no centro da cidade:

Les beaux de Provence

Fazem parte dos Alpes provençais, são montanhas de pedras sem grande interesse em si mesma, depois de se ter visto outras cidadezinhas encravadas na pedra, com seu respectivo castelinho.



Havia multidões de gente entupindo as estradas, congestionando os estacionamentos, no dia em que fomos lá.
Em Beaux está um programa todo especial, e você precisa reservar o dia para isso, pois é longe, as filas são gigantes e a visita demorada: é o Carrières des Lumières, espetáculos feitos nos espaços entre as pedras, como cinemas, espetáculos variados e exposições de pinturas, tudo muito fresquinho por estar à sombra das pedras, mas é preciso agendar com antecedência, comprar pelo site, pois as filas são gigantescas.
Por mim, a não ser pelos espetáculos, não iria até ali.


Abadia de Sénanque

A gente só viu da estrada, lá do alto, fica em uma vale profundo, depois passamos em frente a caminha da próxima cidade.
Aí eles cultivam as lavandinas, que pudemos ver, estavam no início da florada.Não confundir com lavandas.
Há duas plantas parecidas nesta região - a lavanda, de onde se extrai o delicioso perfume, e cujas plantas são cultivadas no meio a outras gramíneas, e a lavandine, de odor forte e de onde é retirado uma subsância detergente utilizada na extraçao da cânfora, e o cultivo da lavandina é feito em solo limpo, portanto entre as fileiras de lavandina só se vê cascalho.

Provence, enfim, é linda!
Ainda não fui a Luberon, a terra das plantações de lavanda, pois é só no mes próprio que se pode ver as plantações. Está na minha agenda.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A ponte Saint-Benezèt - a famosa ponte d'Avignon.


Uma canção histórica

fonte: Danièle Badois, Mission de l'Inventaire Historique d'Avignon
Arquives Municipales d'Avignon
(à l'affiche de la pont Saint- Benèzet - fundada em 1117)





Visitando o Palácio dos Papas, em Avignon, França, temos acesso à famosa ponte da canção, e a um acervo de informações interessantes.




Há registros de canções sobre a ponte desde o seculo XV, mas as primeiras canções se perderam; eram chamadas 'complaintes des oreillers' (em ingles pillow songs)

É em 1503, em Veneza que se tem o primeiro registro, pelo editor de músicas Ottaviano Pettrucci de Fossombrone, que apresenta esta fórmula simples:

Sur la pont d'Avignon
Ma belle passe et repasse.

Em 1575, existe um manuscrito musical escrito pot Lucques, com a letra:

Sur le pont d`Avignon
J'ouys chanter la belle,
Qui en son chant disoit
Une chanson nouvelle
.

Em 1602 há uma canção conhecida como La Péronelle:

N`a vous point vue la Peronelle
Que les gents d'armes ont amenée
Et où?
Sur le pont d'Avignon j'ay ouy chanter la belle

Qui dans son chant disait une chanson nouvelle
Et quelle?


Em 1711 é recolhido outra adaptação ao gosto da época chamada
 Brunettes et Petits Airs Tendres

Sur le pont d'Avignon
J'ay ouy chanter la belle
Qui dans son chant disait:
Et baise-moi, tandis que tu me tiens
Tu ne me tiendras plus guère


Em 1811, le pont Saint-Bénezet, que estava em ruínas devido às enchentes do Ródano,
e restaurada e sua reinauguração é saudada pelos habitantes de Avignon com a canção tradicional remodelada:

Sur le pont d'Avignon
Désormais, sans bac ni bateau (bis)
A son aise on peut passer l'eau (bis)
Chacun salue à sa façon.

Les beaux messieurs font comme ça
Et puis encore comm'ça
Leur chapeau passa, repassa
Les belles dames font comm'ça

Le pont étant bien étrenné (bis)
Chez soi chacun est retourné


Em 1843, Du Merson dá ao texto a forma mais próxima pela qual a conhecemos nos dias atuais, em seu Chansons et Rondes enfantines:

Sur le pont d'Avignon
Tout le monde y danse, danse

Sur le pont d'Avignon
Tout le monde y danse en rond.


Em 2 de fevereiro de 1853, l'Opéra Comique de Paris, o compositor Adolphe Adam introduz a canção, fixando o ritmo e a letra em sua opereta, adaptação da peça Le Sourd ou l'Auberge pleine.
A seguir seguem-se diversas produções artísticas com sucesso internacional, em 1876, em 1937 (autoria de Liette de Lahitte com música de Jane Vieu), e 1958, com o compositor alemão Karl Marx.
Enfim, a música é hoje um patrimônio cultural mundial.





Quem foi Benezèt?
(informações orais do guia em Avignon)
Conta a lenda que Benezèt era um jovem pastor de 17 anos que um dia ouviu a voz de Deus lhe dizendo para construir uma ponte sobre o Ródano, com acesso ao palácio do Papa. O pastor foi até o papado, onde ao ser recebido em audiência, assombrou o papa Clemente V com sua estranha porposta. O Papa, atônito, ficou calado, mas todos os presentes gargalharam.
A ponte era necessária pois as pessoas da outra margem ficavam separadas pelas fortes correntezas do rio; o pastor, para provar sua missão divina, carregou sozinho nos ombros uma enorme pedra e a colocou no leito do rio - essa foi a pedra fundamental da ponte.
As enchentes do Ródano são extremamente fortes em certos anos, pois recebe água das geleiras na primavera, e a ponte foi parcialmente destruída muitas vezes; dos seus 22 arcos originais só restatam 4. Atualmente existe uma reclusa acima de Avignon, e uma nova ponte, mais moderna, substituiu a ponte Benezet na função de circulação rodoviária.

 Benezet morreu durante a obra, aos 25 anos. Foi enterrado numa capela feita sobre o terceiro arco da ponte. Tornou-se o santo patrono de Avignon. Depois de quase 500 anos seus restos mortais foram removidos e estão na igreja de Saint Didier em Avignon.