domingo, 8 de junho de 2014

2014 - França - Provence


(crédito das fotos: Fernanda Rodrigues Vieira e eu )


Região maravilhosa, a Provence é um modo de vida.
Cidades cheirosas, luminosidade indiscritível, cores deslumbrantes.
Todas as cidades de Provence tem um dia de mercado (é a nossa feira, institução medieval maravilhosa, onde você via ver os produtos locais e também algum artesanato mais barato que nas lojinhas, tipo metade do preço) O mercado funciona só pela manhã, mas a manhã para eles começa às 9 e termina às 3, então não precisa sair correndo, dá até para almoçar em uma cidade e chegar na outra a tempo de pegar o mercado da segunda cidade aberta)
Outra coisa peculiar é que todas tem um carrossel, daqueles de cavalinhos, alguns com 2 andares, mas sempre cheios de crianças pequenas e seus pais, ao lado da praça central e da inevitável igrejinha (gótica, renascentista ou medieval)

Pedíamos um pichet de vinho ao jantar (uma jarra com o vinho local) ou soda bretã, que não é da região mas é francesa e deliciosa em dias de calor.
O café é que deixa muito a desejar, em todos os locais que visitamos - é muito forte ou aguado, o café com leite pode ser um café com uma espuma de leite por cima, o capuccino pode ser o que nós chamamos de café com leite, ou algo indefinível, eu preferi ficar nos chocolates quentes, era mais seguro, enquanto a Fernanda ia me contando o que vinha na chícara dela, que era sempre uma surpresa....só uma vez eu pedi chocolate e vieram : uma chícara de chocolate concentrado e um bulinho de leite quente para diluir (quando vi o bulinho gelei, pensando ser aquele leite gelado que os ingleses tem mania de servir, mas era quente, que bom).
É a região de comidas feitas à base de flores. Comi doces diversos, como calisson e guimauve, feitos com violeta, verbena e lavanda.

Avignon

Fomos de trem, bem confortáveis.
Ficamos no Isis Budget Centre - 8 Boulevard Dominique
Hotel simples, próprio para mochileiros, bem situado, do lado de fora da muralha, pela qual passavamos todos os dias em frente a uma placa que dizia 'Tous ensemble' e era ilustrada com umas ilustrações de pessoas, bicicletas, carros, e queria dizer isso mesmo: entrem todos juntos e seja o que Deus quiser...


Em vinte minutos andando estavamos no palácio dos papas, em mais 10 minutos na famosa ponte.
Lá passamos por um mendigo bem original, que nos assustou no primeiro dia pois estava sentado junto a uma vaca. No momento em que passamos, a vaca se mexeu e ouvimos um 'muuu' até repararmos que: a vaca era de pano, em tamanho natural, e que o mendigo a sacudiu por uma cordinha atada a seu pulso.








Imagino que as pessoas em Avignon se localizem assim: moro em tal portão, moro dentro / fora das muralha...




Fizemos de Avignon nosso ponto de dispersão, e daí passamos a excursionar, cada dia para uma ou mais cidades em Provence. Gostei da escolha, a cidade é pequena o suficiente para a gente não se perder, chegar sem correria à estação do trem ou saída dos onibus de excursões e, na volta, poder ir jantar com calma ao final do dia, geralmente na Praça do Relógio, bem central, rodeada por restaurantes e barzinhos.



Tomavamos café em um lugar tranquilo, gostoso, que abria às 8 enquanto os outros ainda estavam fechados, servia um café com leite bom e croissants crocantes, entre outras coisas boas.
Visitamos:


O Palácio dos Papas - que no momento estava sendo enfeitado com rosas para a comemoração da Ascensão de Nossa Senhora. Infelizmente eles usam o palácio para expor quadros de artistas modernos, o que, na minha opinião, descaracteriza totalmente o prédio, que é medieval. De lá de dentro temos bela vista da cidade, e, pelas ameias exteriores, podemos ver a catedral de Nossa Senhora do Dom, que fica ao lado, sobre o rochedo de mesmo nome, um excelente mirante.
A ponte Saint- Bénezet, mais conhecida como ponte de Avignon.



Há um passeio gratuito, bem interessante, de barco, pelo Ródano, até a outra margem - sai a cada 15 minutos; você ê a cidade pela outra margem e passeia um pouco mais; é muito usado por ciclistas, pois do outro lado há uma excelente ciclovia (pas pour tous...)



A torre de Filipe, o Belo - controla o acesso à ponte, é baratinho.
Igreja Gótica Notre Dame, com claustro, entrada franca.

                

Há outras igrejas, jardins e museus, se você tiver mais tempo e interesse. Há um Avignon Passion - um passe que dá direito a descontos progressivos nos monumentos visitados, no nosso caso, recebemos um desconto para uma excursão que agendamos no Centro de Turismo, que abre só às 9 horas e no domingo às 10 (então, se você quiser fazer uma excursão no domingo, tem de deixar agendada no sábado!)


Arles



Quando fizer Arles, faça junto Saint-Rémy  - pode pegar uma excursão ou ir de trem de Avignon para Arles, de onibus para Saint Rémy e voltando de trem para Avignon. É melhor ir de excursão, como descobrimos depois, pois os horários dos trens são desconexos, acabamos perdendo Saint Rémy e fomos direto a Arles, pensando que era uma cidade maior - ledo engano, em 3 horas fizemos tudo, apesar de o pessoal do turismo afirmar que estava havendo uma grande exposição da Fundação Van Gogh naquele dia.


Arles é uma cidade deliciosa de se andar, cheia de ruelas frescas (estava muito quente neste dia).
A praça central tem casa curiosas, de fachada de madeira enfeitadas com traves enviesadas, e parecem meio tortas.
As ruas tem um sistema interessante para conter o trânsito - há no meio das ruas pequenos postes de uns 60 cm que impedem a circulação dos carros, mas se abaixam para deixar os ônibus passarem!

Logo na entrada há uma estátua em frente à famosa Arena, bem conservada; depois fomos até o teatro, bem destruidinho, mas dá para ter uma idéia do esplendor de outrora. Infelizmente, estava todo cheio de arquibancadas para apresentação de espetáculos culturais locais, então as fotos estavam fora de questão, e as visitas seriamente comprometidas. (diga-se o mesmo do palácio dos papas em Avignon)

Thermas de Constatino - ruínas romanas, onde soubemos que a água do Ródano era utilizada para os banhos, passando por um sistema de aquecimento gradativo em fornos externos; aquecida, a água era canalizada e distribuída de forma a fornecer banhos em 3 diferentes temperaturas nas diversas piscinas termais. Se tiver templo, há jardins, museus e outras romanidades para visitar. 
Quanto ao caminho de Van Goh, ele decepciona - no hospital onde ele esteve internado há hoje um centro cultural, onde estão expostas cópias de 2 quadros que ele pintou no local - o jardim é mantido como era, para fazer juz ao quadro; a fundação Van Gogh estava em Arles neste dia com uma exposição da qual constava 6 quadros do autor e várias gravuras dos autores japoneses que ele admirava. Foi meio que anti-climax, pois eu fui seca para ver o tal caminho de Van Gogh!

Pegamos um excursão em Avignon que se denomina the Best of Provence e vai para as seguintes cidades:
PONT DU GARD - LES BAUX DE PROVENCE - SAINT RÉMY DE PROVENCE (arrêt photo) - ROUSSILLON - GORDES - ABBAYE DE SÉNANQUE - FONTAINE DE VAUCLUSE

Saint Rémy de Provence:

Para sorte nossa, que não havíamos ido a Saint Rémy, o motorista não fez apenas a parada para fotos, mas entrou na cidade e nos deu 15 minutos para circular por lá: é minúscula, circular, encantadora!

fonte homenageando Nostradamus, que nasceu em Saint-Rémy

 Ainda consegui fazer umas comprinhas, de coisas que já tinha em mente comprar e achei bem mais barato por lá. Na saída, há o hospício onde Van gogh foi internado, onde passamos bem rápido, vimos por fora mas não paramos para fotos. O  Monastery of Saint Paul Mausole é hoje usado como hospital psiquiátrico, e se você quiser fazer um passeio pelos caminhos por onde o pintor andou, tem uma excursão específica para isso, e pelo que sei, o quarto onde ele ficou é uma montagem, e os caminhos nem existem mais. Como ele viveu em e diferentes países e em 37 diferentes casas, a história dele ficou pulverizada.


L'isle sur la Sorge




Passamos por lá a caminho da próxima cidade - bonita, sobre o rio Sorge, que serpenteia pela cidade.
O som das águas por todas estas cidades cheias de fontes e rios é relaxante. Bem como o som dos campanários dessas igrejas antigas.

Fontain-de-Vaucluse



é um vale maravilhoso, e passamos rapidinho só para admirar os montes Vaucluse e Ventoux, e a água que flui pela cidade toda em sons refrescantes.
A cidade  é um local bem bonito, cheio de canais, com rodas d'água. As rodas d' água estavam cheias de algas imensas presas em suas rodas.  Tem um castelo sobre um rochedo em posição maravilhosa, as rochas e as árvres em volta fazem você ter vontade de pintar a paisagem. Pintar, não tirar fotos. 




  rio embaixo, paredão de pedras no alto...tudo lindo.


Roussilon

Esta região é de terra argilosa, rica em ferro, de onde se tira a matéria prima das tintas ocres, o chamado Maciço de Luberon.
O passeio principal é atrevessar tortuosos caminhos e pontes em meio a escarpadas rochas de todos os tons entre o vermelho e o amarelo, em pleno sol, há alguns atalhos por meio de carvalhos também, um mirante -  é bem grande o 'sentier dos ocres', e eles tem para vender o pó para você levar para casa e fazer suas próprias tintas, como os artistas antigos faziam...um luxo.




Há a local de manufatura de tintas para ser visitada - o conservatoire des ocres -  no dia em que fomos estava fechada, uma pena.

A cidade é feita de casas vermelhas, ou beges, ou laranjas, ou castanhas, ou... já entendeu, em qualque tom parecido com ocre, pois conforme o tempo passa e conforme as chuvas caem, as cores vão mudando. O resultado é uma sensação quente.


Nîmes


Nem acredito que não coloquei esta cidade em meu percurso, e só fui la porque a excursão passava por ali.
Foi a cidade que mais me agradou. Era tão bonito que os romanos e chamavam de segunda Roma.

 a fonte Pradier.

À entrada da cidade há um monumento mais recente, completamente laico, a fonte Pradier (este é o nome do escultor), e que representa a cidade e seus quatro mananciais, entre eles o rio Ródano. O aspecto da estátua engana, porque parecem seres mitológicos.
Na verdade, não são ruínas romanas, eu diria que são monumentos romanos inteiros, só faltam os romanos, e se você for na sessão de cinema deles, nem os romanos vão faltar!
Tudo está muito bem preservado, e a cidade original era enorme!

em frente ao anfiteatro, que por algum tempo foi utilizado para touradas, está a estátua de um toureiro famoso, o Nimeño II.

No Jardim de la Fontaine há diversas estátuas bem conservadas e a caminhada é bem longa.
Em 3 horas dá para visitar todos os monumentos romanos, andar pelo jardim e visitar dois museus, além de almoçar com tranquilidade.
     

Comi o doce mais delicioso de minha vida em um lugar chamado L'arbousier, que servia comida libanesa - a gente estava meio cansada de crêpes, croque-monsieurs e comida italiana (que é o que se pede quando se está com fome, já que a comida francesa é cara, leve e as porções são insuficientes para a minha fome de sete horas de caminhada diárias). O banheiro deste local também era charmoso, com flores cheirosas e vasos artisticamente arranjados pelas paredes. Fora que ali compramos também guimauve (é o nome de uma planta de onde se extrai uma goma deliciosa) de vários sabores, entre eles violeta.
Atualmente é vendido por aí uma coisa artificial feita de açucar e sem a planta original, que todo mundo conhece como 'marshmallow'.
Mas em França você come o guimauve original, feito com a planta.



Há dois museus gratuitos em Nîmes que mostram coisas da cidade: o de arqueologia, com peças variadas retiradas das escavações arqueológicas locais em Gard, por exemplo. O museu dos costumes mostra a tradiçao na fabricação de tecidos, como a seda e o brim (denim) que era aí fabricado e exportado.
É também a cidade onde nasceu Guiseppe Garibaldi.

Pont du Gard

A atração principal é o viaduto, que levava água de Uzés para Nîmes, por um desnível de cerca de 30
metros no terreno.


A caminho do viaduto, repare nas árvores - há aqui oliveiras de cerca de 500 anos. 
O nome do rio é Gardon, e, como em muitas cidades da região, você encontra pela cidade placas com dois nomes, um em francês e outro em provençal.


         
  Ainda há pessoas na faixa dos 80 que falam (e transmitem a seus filhos e netos) o provençal, a língua está viva ainda.

O local é bem maior do que eu supunha, e tem mais atrações do que o viaduto: tem cinema, museu, lojas, restaurantes, sorveterias, praias fluviais com direito a passeios de barco, calçadões com pistas para caminhada e ciclismo.


Gordes
Aí visitamos a cidade alta, em volta do rochedo, e vista linda.
A Village des Bourries - são casinhas feitas em pedra pelas populações antigas, dizem que são anteriores a Cristo, e que foram abandonadas no século XIX, sendo usadas hoje como depósito vegetais e animais.

Ainda hoje o aspecto medieval se mantém porque há certas regras: todo cabeamento é por subsolo, e a aparência das casas deve ser parede de pedra e telhado de terracota, não sendo permitido o uso de cercas ou portões modernos, para não descaracterizar a região como atração turística.

Aix-en Provence


A maior cidade da região, com muitas linhas de trens e onibus disponíveis, e preços bem acima dos encontrados nas outras cidades da região. Eu não a escolheria para meu ponto de partida, pois é muito urbana, preferi Avignon, que também dispõe de trens e pode ser cruzada a pé meia hora.
A vedete da cidade e Cours Mirabeau, pintada por Cézanne, arborizada por estranhas árvores de casca branca e poucas folhas, talvez tivessem sido podadas redentemente, a avenida é grande, linda, porém fugi dela porque chegamos depois do almoço em um dia muito quente e aí se ficava exposto diretamente ao sol.

Não se consegue ver o Monte Saint Victoire da cidade, tem-se vista parcial dos locais mais altos, o monte é melhor vista da estrada.
Esse monte era um tema preferido do pintor Cézanne.
Esta é uma cidade cheia de artistas, atuais e antigos, procure o seu preferido para acompanhar.
O caminho de Cézanne, que me foi proposto, é longo e sem grande interesse a não ser aos estudantes de arte ou aficcionados pelo pintor.
O escritório de turismo local oferece um passeio combinado a 3 locais com quadros de Cézanne, em um trenzinho aberto, em agradável, que poupa tempo e dinheiro ao turista.
Estou sentada no jardim do atelier de Cezanne, bem alto, em local lindo, fresco e agradável.

Se tiver pouco tempo, estiver a pé e quiser ver o atelier de Cézanne, pegue um ônibus. O caminho é longo, ladeira acima, sem nada interessante no percurso e o calor que fazia retardou nossa marcha. Lá encontramos a última casa do autor, onde ele construiu seu local de trabalho do jeito que queria, com um amplo janelão, bem no meio de uma grande área verde, e seus objetos de pintura estão por lá.
Há muitos outros museus em Aix, mas o encanto das pequenas cidades charmosas está ausente.

A, para finalizar, a estátua de Cezanne, bem no centro da cidade:

Les beaux de Provence

Fazem parte dos Alpes provençais, são montanhas de pedras sem grande interesse em si mesma, depois de se ter visto outras cidadezinhas encravadas na pedra, com seu respectivo castelinho.



Havia multidões de gente entupindo as estradas, congestionando os estacionamentos, no dia em que fomos lá.
Em Beaux está um programa todo especial, e você precisa reservar o dia para isso, pois é longe, as filas são gigantes e a visita demorada: é o Carrières des Lumières, espetáculos feitos nos espaços entre as pedras, como cinemas, espetáculos variados e exposições de pinturas, tudo muito fresquinho por estar à sombra das pedras, mas é preciso agendar com antecedência, comprar pelo site, pois as filas são gigantescas.
Por mim, a não ser pelos espetáculos, não iria até ali.


Abadia de Sénanque

A gente só viu da estrada, lá do alto, fica em uma vale profundo, depois passamos em frente a caminha da próxima cidade.
Aí eles cultivam as lavandinas, que pudemos ver, estavam no início da florada.Não confundir com lavandas.
Há duas plantas parecidas nesta região - a lavanda, de onde se extrai o delicioso perfume, e cujas plantas são cultivadas no meio a outras gramíneas, e a lavandine, de odor forte e de onde é retirado uma subsância detergente utilizada na extraçao da cânfora, e o cultivo da lavandina é feito em solo limpo, portanto entre as fileiras de lavandina só se vê cascalho.

Provence, enfim, é linda!
Ainda não fui a Luberon, a terra das plantações de lavanda, pois é só no mes próprio que se pode ver as plantações. Está na minha agenda.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A ponte Saint-Benezèt - a famosa ponte d'Avignon.


Uma canção histórica

fonte: Danièle Badois, Mission de l'Inventaire Historique d'Avignon
Arquives Municipales d'Avignon
(à l'affiche de la pont Saint- Benèzet - fundada em 1117)





Visitando o Palácio dos Papas, em Avignon, França, temos acesso à famosa ponte da canção, e a um acervo de informações interessantes.




Há registros de canções sobre a ponte desde o seculo XV, mas as primeiras canções se perderam; eram chamadas 'complaintes des oreillers' (em ingles pillow songs)

É em 1503, em Veneza que se tem o primeiro registro, pelo editor de músicas Ottaviano Pettrucci de Fossombrone, que apresenta esta fórmula simples:

Sur la pont d'Avignon
Ma belle passe et repasse.

Em 1575, existe um manuscrito musical escrito pot Lucques, com a letra:

Sur le pont d`Avignon
J'ouys chanter la belle,
Qui en son chant disoit
Une chanson nouvelle
.

Em 1602 há uma canção conhecida como La Péronelle:

N`a vous point vue la Peronelle
Que les gents d'armes ont amenée
Et où?
Sur le pont d'Avignon j'ay ouy chanter la belle

Qui dans son chant disait une chanson nouvelle
Et quelle?


Em 1711 é recolhido outra adaptação ao gosto da época chamada
 Brunettes et Petits Airs Tendres

Sur le pont d'Avignon
J'ay ouy chanter la belle
Qui dans son chant disait:
Et baise-moi, tandis que tu me tiens
Tu ne me tiendras plus guère


Em 1811, le pont Saint-Bénezet, que estava em ruínas devido às enchentes do Ródano,
e restaurada e sua reinauguração é saudada pelos habitantes de Avignon com a canção tradicional remodelada:

Sur le pont d'Avignon
Désormais, sans bac ni bateau (bis)
A son aise on peut passer l'eau (bis)
Chacun salue à sa façon.

Les beaux messieurs font comme ça
Et puis encore comm'ça
Leur chapeau passa, repassa
Les belles dames font comm'ça

Le pont étant bien étrenné (bis)
Chez soi chacun est retourné


Em 1843, Du Merson dá ao texto a forma mais próxima pela qual a conhecemos nos dias atuais, em seu Chansons et Rondes enfantines:

Sur le pont d'Avignon
Tout le monde y danse, danse

Sur le pont d'Avignon
Tout le monde y danse en rond.


Em 2 de fevereiro de 1853, l'Opéra Comique de Paris, o compositor Adolphe Adam introduz a canção, fixando o ritmo e a letra em sua opereta, adaptação da peça Le Sourd ou l'Auberge pleine.
A seguir seguem-se diversas produções artísticas com sucesso internacional, em 1876, em 1937 (autoria de Liette de Lahitte com música de Jane Vieu), e 1958, com o compositor alemão Karl Marx.
Enfim, a música é hoje um patrimônio cultural mundial.





Quem foi Benezèt?
(informações orais do guia em Avignon)
Conta a lenda que Benezèt era um jovem pastor de 17 anos que um dia ouviu a voz de Deus lhe dizendo para construir uma ponte sobre o Ródano, com acesso ao palácio do Papa. O pastor foi até o papado, onde ao ser recebido em audiência, assombrou o papa Clemente V com sua estranha porposta. O Papa, atônito, ficou calado, mas todos os presentes gargalharam.
A ponte era necessária pois as pessoas da outra margem ficavam separadas pelas fortes correntezas do rio; o pastor, para provar sua missão divina, carregou sozinho nos ombros uma enorme pedra e a colocou no leito do rio - essa foi a pedra fundamental da ponte.
As enchentes do Ródano são extremamente fortes em certos anos, pois recebe água das geleiras na primavera, e a ponte foi parcialmente destruída muitas vezes; dos seus 22 arcos originais só restatam 4. Atualmente existe uma reclusa acima de Avignon, e uma nova ponte, mais moderna, substituiu a ponte Benezet na função de circulação rodoviária.

 Benezet morreu durante a obra, aos 25 anos. Foi enterrado numa capela feita sobre o terceiro arco da ponte. Tornou-se o santo patrono de Avignon. Depois de quase 500 anos seus restos mortais foram removidos e estão na igreja de Saint Didier em Avignon.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Viagens literárias - Emily Carr

Emily Carr se descrevia como ‘uma velha mulher à beira do nada’. O contexto em que ela disse isso foi irônico; ela brincou com a Galeria Nacional do Canadá ao dizer: ‘Se o trabalho de uma velha mulhar que vive isolada à beira do nada é moderno demais para a Galeria Nacional do Canadá, então essa instituição não me parece muito progressista’.
O que ela realmente quis dizer com ‘isolada’ referia-se à situação geográfica e aos problemas de saúde que ela apresentava. Ela superou essas circunstâncias adversas  ao dedicar-se a algo maior que ela: a arte. Além disso ela era uma mulher de primorosa educação, muito viajada e bem conectada com figuras culturais que apoiaram o seu talento.
Seu colecionador Harold Mortimer Lamb disse: ‘é uma vergonha pensar que você se deixe ficar em um canto do mundo desconhecido e apagado’. Ela respondeu: ‘É exatamente aqui onde quero estar; é minha terra; o que eu quero expressar está aqui e eu amo isso.’
Sua profunda conexão espiritual com a natureza e as primeiras nações que viveram na ilha de Vanvouver revela-se em suas pinturas e em suas palavras. Ela permanece uma figura influente no Canada, no Canadá, reconhecida como uma pioneira do modernismo. Foi artista, escritora, mentora de jovens artistas. Era uma visionária, que enxergou além do cenário tedioso da Victoria de seu tempo.

Nasceu em Victoria em 1871.
Orfa aos 16 anos, foi criada pela irmã mais velha.
Estudou arte em São Francisco, Inglaterra e França.
Em seus primeiros trabalhos já se revela sua admiração pela natureza e pela luminosidade. Procurou por novas estéticas e desafios iconográficos. Entre 1899 e 1933 visitou vilarejos remotos ao sul de Vancouver e foi ao Alasca. Impressionada pelo que viu, começou a pintar os temas nativos, inclusive totens.
Em 1911, em França, seu professor Harry Gibb a convenceu de que a Art Noveau iria ajudar seu trabalho e mostrou-lhe suas possibilidades; seguindo os estudos dos pintores europeus pós impressionistas, Carr revelou uma liberdade no uso das cores, linha, uso do espaço, que a permitiu retornar aos temas das primeiras nações com elementos adotados por Fauve e pelos cubistas. (ex: Bie Eagle, 1929)

Carr apresentou seus trabalhos em Vancouver, exibindo as telas que trabalhara na França. A reação do público foi o riso: ‘isso é algum tipo de brincadeira? Criancinhas pintam assim!’
Para sobreviver, em tempos de dificuldade econômica, ela se dedicou a tecer tapetes, tricotar, fazer cerâmica, que vendia aos turistas, e relatou esse tempo no livro: The House of All Sorts.
(a casa da faz tudo)
Em 1927 ela tornou a apresentar seu trabalho ao diretor da Galeria Nacional do Canadá, Eric Brown, e o etnologista Marius Barbeau a convidou a exibir seus temas das primeiras nações em Ottawa na exposição Arte do oeste. Nessa ocasião ela conheceu muitos outros artistas canadenses incuindo o famoso Grupo dos Sete.

O grupo era composto por:

influências:
Lawren Harris, canadense, cuja pintura a arrebatava, e que, com sua crítica e apoio a incentivou a desenvolver um repertório pessoal referente a sua experiência pessoal na costa oeste: montanhas, floresta subtropical, oceanos; e a expressar sua espiritualidade em conexão com a natureza, sua pintura criou a mais progressiva arte em seu tempo em Britsch Columbia.

Mark Tobey, americano, pintor abstrato influenciado por temas religiosos e filosóficos, que ela conheceu em 1928, e que a encorajou a aventurar-se além dos totens.

Ela amava animais e teve muitos cães, gatos, pássaros e um macaco chamado Woo.



(eu ao lado da estátua de Emily com seu macaco Woo)

Na última década de sua vida Emily pintou como nenhum outro artista em seu tempo: ‘pinto minha visão de mundo, sem pensar na opinião de ninguém, tentando expressar minhas próprias reações.’
‘Todos os dias eu penetro mais fundo nas matas e comungo com as coisas. Oh, Espírito, quero sair de mim,  sentir- Te e inspirar-me.’.... ‘parece-me que a pintura valoriza o movimento no espaço. Pinturas tem servido como decoração, obedecido a regras de desenho, mas também há espaço para mais; a idéia deve correr pela tela, a história deve arrastar e exigir expressão, a história que Deus pensou em sua criação. O papel pictórico do objeto é o relacionamento dos objetos entre si em uma sinfonia de movimentos, em um fluir constante, carregando o observador consigo, céu, oceano, árvores afetando uns aos outros.’
Emily nunca foi complacente consigo mesma. Ela disse, aos 65 anos: ‘este ano fui longe, desviei-me um pouco, vejo coisas um pouco mais como totalidade, sempre observo temerosa de parecer fraca e ultrapassada, não quero desistir, vou derramar-me nas telas até a palheta estar vazia, a ultima pincelada emanando em cascatas, não em gotas.’
Como artista madura, tinha muitos alunos, a quem inspirou e que lhe renovavam as energias.
Eventualmente, publicou livros, e, aos 70 anos, ganhou um prêmio do governo por seu livro Klee Wyck, sobre suas viagens pelas comunidades indígenas.
Faleceu em 1945.
Durante muitos anos ela defendeu a idéia de uma galeria de arte moderna em Victoria, finalmente fundada poucos anos após sua morte.

Algumas pinturas dela, fonte: o livro In the Edge of Nowhere, 2a edição

 (Spring
The art gallery of greater Victoria - 1936)


 (Trees
The art gallery of greater Victoria - 1932)

 (The dancing tree
 The art gallery of greater Victoria -  1932)




interior de seu estúdio
Photo of Ken McAllister
1945



(Painted by Carr on ceiling of her studio at Hill House (of all sorts)
Photograph by Michael Breuer 1982)

 (
The big eagle
The art gallery of greater Victoria - 1929
it is a fine example of Carr Cubist approach of breaking up the picture plane with geometric forms.)







(cerâmicas feitas e pintadas com motivos indígenas)



1930
The back of the house of all sorts
(Nome de um livro que ela escreveu sobre o periodo em que viveu de seu artesanato)
The art gallery of greater Victoria





1873
Unknown photographer
Royal BC Museum


1936
Photo of Harold Mortimer Lamb

The art gallery of greater Victoria



esboço
The art gallery of greater Victoria
1911





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Christchurch – 2014



Passei dois dias em Nova Zelândia, estava chuvoso, apenas passeie pelo Botanical Garden e tirei fotos das maravilhosas árvores, e fiz uma seleção dos meus poemas favoritos para ilustrar.
A cidade ainda está destruída pelo terremoto, deu para passear de gondola e espiar lá de cima a topografia da região – montanhas entre o rio Avon, seus lagos, o mar, um vale esculpida no que foi antigamente um vulcão e, abaixo uma falha geológica! Lugar para quem adora riscos!































Coisas da Austrália - generalidades


Chapéu é artigo essencial – venta muito o tempo todo.

Trânsito:
Os ciclistas andam de capacete e roupas próprias, geralmente nas ciclovias.
(em contrapartida, às vezes o ônibus segue vem devagar atrás deles, nos locais onde não tem ciclofaixa)

Os motociclistas – você passa semanas sem ver um – param nos semáforos na pista e na posição onde estão, ocupando o mesmo lugar de um carro, usam capacetes, respeitam as faixas de segurança.

ônibus :
eles tem faixa especial, que ninguém invade; quando param nos pontos, as pessoas ficam sentadas até ele parar, aí se levantam e vão até a porta. Chegam nos pontos em ordem, geralmente, mas nem sempre, pontuais, ficam em fila e vão parando na sequência em que chegam; os motoristas fazem o troco, conversam com os passageiros que tem dúvidas, e só depois de fazerem todos os trocos e todos os passageiros estarem acomodados, é que ele parte. Tem locais próprios para se colocar malas, compras de supermercado, carrinhos de bebês. (que aqui tem 3 rodas, e às vezes dois andares, para duas crianças, uma maior e um bebezinho) – que só podem descer pela mesma porta de entrada, para ter certeza de que o carrinho está na altura da calçada.

metro:
tem dois andares, e aviso de quanto tempo demora a chegar, aliás é um atrás do outro.
As pessoas lêem: próximo trem em 2 minutos, sentam e esperam sentadas!
Existem portas que permitem ao passageiro mudar de vagão – opção interessante, se algum cheito incomodar a pessoa. (dizem que os europeus cheiram a alho, e os indianos a curry)

As pessoas descem no aeroporto de malas, entram no metrô, saem no centro da cidade e pegam os ônibus para os bairros, no mairo conforto.

é comum as pessoas lerem na condução, livros ou ereaders, ou mesmo notebooks.

ferry
é bem romantico, agradável no verão, quando se tem a impressão que toda a cidade resolveu ir para a praia;  no de Manly você vai escutando as conversas em francês, pois há uma grande comunidade francesas morando lá;  no inverno e na chuva um pesadelo, e são mais caros e tão demorados quando os ônibus.


Pode-se comprar passes combinados, com preços mais baratos nos horários fora dos picos e nos passes múltiplos.
Os fiscais passam em horários aleatórios e com certa frequência, por isso nunca jogue fora o seu passe.

Pedestre quando atravessa na faixa nem precisa olhar: os motoristas já param quando ele se aproxima da esquina; mas quando há semáforos, eles demoram a abrir a opção pedestre – os semáforos aqui têm quatro tempos, e é muito confuso entender o esquema de cruzamento deles, que é bem diferente do nosso. Levei meses para entender; já a mão invertida é mais fácil poise les escrevem no chão em praticamente todas as esquinas da cidade: olha pra esquerda! (eu, como boa brasileira, olho para todos os cinco lados: direita, esquerda, frente, atrás e acima, vai que vem um meteoro me atropelar…)
Um dia, quando acabei de atravessar a rua, um homem, do outro lado, me olhava curioso e não se segurou: perguntou porque eu havia olhado duas vezes para os dois lados antes de atravessar…por segurança, eu falei, e ele ficou me olhando como se eu fosse assim meio estranha…

Postos de gasolina: sabe aquele costume que a gente tem de perguntar o caminho ao frentista ? Bem, aqui não tem, é o próprio motorist que enche o tanque e paga com cartão, então, é essencial um bom GPS ou um daqueles mapas de papel tradicionais, para se guiar.
Passarinhos – aliás, pássaros (são enormes)
cuidado com as magpies, elas são agressivas aves terreitoriais, e os australinaos usam uns gorrinhos charmosos com dois olhos imensos me cima para evitarem serem atacados pelas aves quando andam de bicicleta pelos parques.
as cacatuas adoram chuva e fazem o maior alvoroço quando chove, exibindo-se nos fios e abrindo as asas com gosto.
tem muitos passarinhos que atacam sua comida nas mesas de restaurants, como os coloridos lorries e as gaivotinhas atrevidas – quem consegue se zangar com eles?
Pelicanos são espetáculos à parte – tranquilos, preferem ficar de longe.

Crianças:
os adultos não dão doces para elas, que comem muita verdure, frutas e legumes.
Dizem os australianos que o chocolate deixa as crianças agitadas e lhes tira o sono.
os gorrinhos infantis tem um rabinho atrás para proteger aquela partezinha da nuca…
usam uns cobertorzinhos pequenos com carinha de bicho no meio para dormir.

Comidas:
tem de tudo – de queijo grego a cogumelo asiático, a gente encontra de tudo e os produtos importados são bem baratos, ao contrário dos locais, pois aqui uma hora tem seca, outra hora tem inundação…
revistas, livros  e programas de culinárias tem muitos – o do Jamie Oliver e o da Donna Hay, por exemplo.
cogumelos australianos são gigantes e bem gostosos – a gent epode rechear, cobrir com queijo e comer como pizza brotinho!

Roupas:
faz calor e venta, então roupa frequinha, longa ou agarrada no corpo é melhor; tem gente de todo canto do planeta, usando todo tipo de roupa misturado, é o local ideal pra quem não curte moda, pois qualquer coisa que você vista está bom, não tem com o que comparar!
E o pessoal por aqui adora andar de sandálias havaianas! Usam até com vestido de festa!
nas lojas encontra-se muita roupa feita na Ásia, bem barara, e sempre estão colocando em ofertas assustadoras – o mesmo acontece com jóias e comidas nos supermercados – procure pelos outlets (pontas de estoques), informe-se ods horários e dias em que os produtos são colocados em promoção e aguarde – no mínimo 30% e com sorte 90% de desconto, se puder esperar uns 15 dias, para comprar o mesmo produto!